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A Morte - Início de Vida?
de Zelinda Mendonça
em 16 Out 2006
(...anterior) 
Algumas pessoas falam da visão de espaços que poderíamos considerar celestiais. Em várias descrições empregam a expressão – “uma cidade de luz”. Neste espaço não podem entrar a não ser que decidam mesmo ficar.
Nem todas as pessoas foram ou viram locais paradisíacos, algumas descrevem lugares sombrios, penosos sem luz.
Um dos casos graves é o dos suicídios tentados. Quando voltam falam de experiências desagradáveis. Sentem que os conflitos e problemas a que tentam fugir continuam presos a eles e muitas vezes de uma forma bruta, imediata e de pesadelo. Muitas vezes é-lhes mostrado as consequências das suas acções, o horror e angústia de quem os encontra ou a quem abandonam, sem haver possibilidade de emendar fosse o que fosse.
Refere o Dr. Moody «…pessoas que passaram por este desagradável estado de “limbo” observaram que tinham tido o sentimento de que deveriam ficar nesse lugar por muito tempo. Era o seu castigo por “quebrarem as regras” tentando libertar-se prematuramente daquilo que, com efeito, lhes fora dado como “desígnio”- realizar um determinado objectivo de vida”. Os conflitos a que tentavam escapar mantinham-se para além da morte, agravados por vezes por várias complicações. No estado de “fora do corpo” sentiram-se incapazes de resolver os seus problemas. Por vezes os factos que os leva ao suicídio, estão constantemente a repetir-se como se fosse um ciclo».
Um homem conta, após um acidente em que “morrera”, «tive a sensação de que duas coisas são absolutamente proibidas, o suicídio e matar outra pessoa. Nestes casos teríamos de enfrentar Deus por ter interferido nos seus propósitos. Era como se devolvêssemos a oferta de Deus contra a sua face, no caso do suicídio. Matando alguém estaríamos a interferir nos Seus propósitos para aquela individualidade».
O Dr. Melvin Morse aplicou o método científico no seu trabalho de pesquisa sobre as E.Q.M. e E.F.C. Tinha por objectivo a comparação de grupos de pessoas que tinham tido tais experiências e outras que tendo estado à beira da morte não as tiveram. Concluiu que as pessoas que passaram por aquelas experiências tinham menos ansiedade em relação à morte. Tinham maior gosto pela vida. Tinham uma inteligência mais elevada. Aumentaram por vezes as capacidades paranormais. Quanto mais profunda é a experiência, menor é o medo da morte. Os que não tiveram tais experiências mas estiveram perto da morte têm uma ansiedade ligeiramente maior que o normal.
O Dr. Melvin Morse também observou transformações na vida das pessoas que tiveram E.Q.M. - Fazem mais exercício, comem mais frutas e legumes, têm menos queixas psicossomáticas, perdem menos tempo no trabalho, passam menos tempo desempregados. Têm menos sintomas de depressão e ansiedade. Passam mais tempo sozinhos em buscas solitárias (meditação/contemplação). Dão mais de si mesmas à comunidade, desenvolvendo trabalho voluntário, preferem profissões de carácter social, sentem que a sua vida tem um propósito, tornam-se pessoas felizes com passatempos e buscas intelectuais, descobrem novas capacidades, são pessoas simples e comuns, não têm religião ou filosofia de vida específicas, além de viver a vida no máximo.
Mas para quem não teve estas experiências porquê interessar-se por elas? É uma questão posta muitas vezes.
Importa aprender o mais possível com elas para podermos acompanhar as pessoas na hora de morrer.
Os médicos têm a tarefa de compreender estas experiências, saber que são reais e não provocadas pelas drogas. Precisam concentrar-se mais nas necessidades do paciente do que na necessidade de impor controlo e ordem ao processo de morrer. Aperfeiçoar as actividades à cabeceira do doente, em conversas sobre a morte e o morrer. Precisam tocar, segurar a mão ou simplesmente sentar ao lado. Providenciar as actividades que podem reverter o isolamento do agonizante.
A família e os amigos precisam também compreender as E.Q.M. Saber que podem trazer um novo significado para um sorriso tranquilo antes de morrer, para um olhar de despedida.
(... continua) 
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