Fundação Maitreya
 
Ladakh

de Juhi Sinha

em 22 Jun 2006

  Ladakh é uma terra sem igual – mística, original e distante. Cercada por montanhas cobertas de neve, a paisagem montanhosa foi esculpida pelo tempo, vento e gelo glaciar. Essas barreiras naturais protegeram ferozmente a beleza de Ladakh, de maneira que até hoje mantém a sua aura de exótico e proibido, talvez o último Shangri-La.

Uma Viagem a Shambha-La

Durante séculos Ladakh encontrava-se na encruzilhada das grandes rotas comerciais. Apesar do terreno difícil, as caravanas chegaram e saíram através das altas passagens montanhosas. Eles trouxeram chá, tabaco e minerais e levaram seda, condimentos, açafrão, brocados e xales. Embora pareçam isolados, o povo de Ladakh, paradoxalmente, esteve sempre aberto ao cruzamento de corrente culturais dos países em volta dela. Hoje, a família dos antigos governantes de Ladakh vive no palácio de Stok, fora da capital Leh. Stok tem um pequeno museu onde os herdeiros da família lembram o tempo e o período que já passou. Na rua principal, que conduz a Kargil, encontra-se Shev, a antiga capital de Ladakh estrategicamente localizada. Ela oferece um lindo visual geral de Sindhu ou rio Indus e do vale.

O budismo constitui a base forte do povo de Ladakh e do seu modo de vida. Eles seguem a seita budista de Vajrayana e Buddha, o Compassivo, orienta os fiéis pelos ciclos da vida, caminho da salvação. Existem pelo menos 30 mosteiros importantes e muitos mosteiros pequenos em Ladakh. Eles são a glória de Ladakh, não apenas espiritualmente mas também materialmente. O seu relacionamento com as vilas é simbólico – os lamas oferecem serviços religiosos, enquanto os habitantes da vila trazem oferendas materiais. Hemis é o maior e mais rico dos gompas ou mosteiros em Ladakh. Em todos os verões o festival de Hemis é uma grande atracção turística quando são apresentadas danças dramáticas muito elaboradas. O festival é dedicado ao Guru Padma Sambhava, que trouxe o budismo para essa região. A palavra “Gompa” significa local solitário e muitas gompas tal como o mosteiro de Thikse encontram-se no topo das vilas em redor. Eles sobem de um andar para outro, normalmente chegando ao sétimo ou oitavo andar. O mosteiro de Thikse é um dos maiores e impressionantes mosteiros de Ladakh. Ele foi construído há quase 500 anos atrás, e continua funcionando como gompa até hoje.

Quase todas as famílias em Ladakh oferecem um filho para a religião. Jovens na tenra idade dos cinco ou seis anos são enviados para mosteiros para serem educados e treinados como monges. O budismo faz parte da vida do dia a dia do povo de Ladakh em todas as suas áreas e não se limita só aos recintos dos mosteiros. Ele normalmente, se manifesta em celebrações de festa nas quais toda a vila toma parte. Um dia importante para os ladakhis é o Ano Novo Budista – o festival de Losar. Ele é celebrado com famílias e amigos e “tsampa” (farinha de cevada assada) e “chang” (uma bebida local de água de cevada fermentada). Mok-Moks e outros itens tradicionais são também servidos.

Outros dias festivos são quando os textos são trazidos dos templos e gompas e transportados em procissão. O povo oferece a sua homenagem e em cada cem metros a procissão faz uma parada para tomar refrescos oferecidos pelo povo. Há música, dança e muita alegria. As crianças das escolas se reúnem para receber as benções dos lamas. Essas cerimónias também demonstram uma ausência completa de qualquer diferença nas castas ou classes em Ladakh.
Ladakh encontra-se num deserto frio e local elevado. Chove pouco e a vegetação pode ser somente observada em pequenos lugares em volta do rio Sindhu ou Indus. Em alguns lugares, os rios alimentados pela neve oferecem pouca água no verão, sendo ela bem utilizada na agricultura.
O povo de Ladakh adaptou-se de maneira excelente ao seu meio ambiente, e nos seus breves meses de verão eles plantam cevada e às vezes trigo. O duro “dzo” – um cruzamento do yak e da vaca – ajuda o fazendeiro na agricultura. Todo o gado de Ladakh é precioso mas não existe nada mais precioso do que o famoso cabrito de pashmina. Tem havido guerras por causa da sua lã, que é usada para fazer finos xales de caxemira. O comércio de pashimina continuou durante séculos e é hoje tão lucrativo como era dantes.

Os ladakhis são um povo alegre e forte. Eles aceitam com facilidade as dificuldades impostas pelo isolamento, terreno inóspito, Inverno rigoroso e atmosfera menos densa. Os Invernos são longos e severos e as casas de Ladakh são construídas para conservar o calor do clima frio e as pessoas e animais têm de permanecer dentro de casa durante seis meses. As mulheres de Ladakh usam os meses de Inverno para fiar lã fazendo pattu para a roupa e tapetes grossos. Isso oferece não apenas o essencial para o Inverno como também uma ocupação e uma oportunidade de passar tempo em convívio. A famosa especialidade de Ladakhi é gur-gur chai, o grande favorito de todas as famílias Ladakhis. É um chá delicioso e quentinho, preparado com folhas de chá, manteiga, sal e leite.

Os Ladakhis são um povo social e a música e dança fazem parte integral das suas celebrações. Suas danças são lentas e bonitas sendo participadas por homens e mulheres. As mulheres gozam de uma boa posição em Ladakh e isso pode ser observado especialmente em suas danças. Os instrumentos acompanhantes são a surna, semelhante ao shehnai e o daman, um instrumento de percussão.
Apesar da entrada de comerciantes em Ladakh, ela tem sido uma região afastada e distante durante muitos séculos. Separada pelas montanhas mais altas do mundo, Ladakh tem permanecido fechada geográfica e politicamente, estando pouco ligada ao povo de fora. Era uma terra proibida – virgem e misteriosa. Mas com o advento dos meios de comunicação e viagens aéreas, o mundo descobriu Ladakh. O turismo chegou em Ladakh subitamente. Turistas chegaram de Toronto, de Tóquio, Ahmedabad e Abidjan, ansiosos por explorar Ladakh e os números estão aumentando todos os anos.

Com o decorrer dos tempos os mosteiros de Ladakh foram sequestrados pelo mundo. A vida monástica dos monges tinha-os protegido dos olhos do mundo exterior, mas os turistas agora consideram os mosteiros e os monges como o último repositório do antigo budismo. Os peregrinos budistas japoneses construíram aqui o Shanti Stupa, bem alto na cidade de Leh, uma esplêndida homenagem às muitas pontes que o budismo construiu entre Ladakh e as nações do mundo.
Um deserto árido com altas montanhas, mas uma terra muito enfeitada pela fé do seu povo, talvez sejam os contrastes de Ladakh que ofereceram um misticismo. Até hoje ele possui um encanto duradouro e infinito, oferecido pela grandeza da terra pensativa, e o sorriso de um povo alegre e tolerante.
Cortesia da Revista India Perspectives
   


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