Fundação Maitreya
 
Luz do Santuário

de Geoffrey Hodson

em 12 Ago 2013

  Geoffrey Hodson foi indubitavelmente um portador da luz; sábio e compassivo, ele praticava o que pregava. Seu legado inclui cerca de sessenta livros e livretos sobre vários assuntos, quase todos valendo-se de seus dons extras sensoriais para a pesquisa ocultista ou oriundos de instruções específicas de seus Mestres instrutores. “Luz do Santuário, o Diário Oculto de Geoffrey Hodson” é o coroamento de sua obra, pois um dos objectivos do livro foi apresentar um exemplo real da vida de um discípulo iniciado. A obra tem duas partes distintas. A primeira é de natureza auto-biográfica apresentando fatos marcantes da vida de Geoffrey Hodson. Verificamos que um verdadeiro discípulo é protegido até mesmo no plano físico, como ocorreu com Geoffrey duas vezes na sua infância e pelo menos outras duas enquanto ele serviu no exército britânico, durante a primeira grande guerra mundial, quando sua vida foi salva por meios ‘misteriosos’, para usar o termo empregado pelo autor. Os fenómenos ocultos começaram cedo para ele.

O Diário Oculto de Geoffrey Hodson

Introdução da Versão em Português

Com a idade de uns cinco anos teve a experiência de ver uma figura parecida com um pássaro de fogo, saindo do interior do sol e entrando em seu corpo pelo topo da cabeça, causando uma intensa sensação de queimação em todo seu corpo. Mais tarde Geoffrey veio a saber que aquela experiência foi o instrumento usado por um deva kundalini para restabelecer a capacitação de seus dons paranormais em seu corpo físico.

Suas visões de espíritos da natureza, fadas e devas levaram-no a um maravilhoso contacto com um grande Arcanjo, o Maha-Deva Bethelda, que se ofereceu para instruí-lo sobre o reino angélico. Esse contacto foi mantido ao longo de sua vida. Com isso Geoffrey foi capaz de investigar o papel dos anjos nos processos de cura, no auxílio e protecção do feto e de sua mãe durante a gestação, na activação e estímulo dos processos da natureza em seus vários reinos. Geoffrey produziu várias obras sobre os anjos e suas actividades no mundo. Uma dessas obras leva o convite para o estabelecimento de uma “Fraternidade de Anjos e de Homens”.

Com o desenvolvimento de seus poderes extras sensoriais, Geoffrey foi convidado para participar de vários experimentos científicos relacionados com espécimes pré-históricos, os processos de cura e gestação, e também sobre a natureza da matéria. Realizou pesquisas ocultistas relacionadas com vários aspectos da vida de Francis Bacon, da influência da música e dos mantras, bem como de outros temas. A descrição dos métodos de investigação utilizados é de grande interesse para o estudante de ocultismo.
Raul Branco, Junho de 2013

ÍNDIA
... Mais ao sul, mais beleza em Tiruvannamalai (prestem atenção no prefixo “Tiru”, “sagrado”) um templo sagrado muito antigo no sopé da famosa montanha de Arunachala, tornada conhecida no ocidente por Paul Brunton, em seu livro A Índia Secreta, onde ele fala sobre ela e sobre seus contactos com Shri Ramana Maharishi, a respeito de quem eu falarei um pouco. A montanha é tida como uma das cadeias de montanhas mais velhas da Índia, e tem sido considerada como uma montanha muito sagrada há bastante tempo. A palavra “Arunachala” significa “visão de luz” ou “farol de luz”, e é considerada como sendo um centro de poder do Terceiro Aspecto da Trimurti, que simplesmente quer dizer “três poderes”, e é a palavra indiana ou sânscrita para “Trindade”. Aos pés do monte existe um templo muito antigo, sendo uma das entradas, ou gopurams, muito mais velha do que o resto.

Do outro lado da montanha ainda se encontra o ashram de Shri Ramana Maharishi, cuja história é muito esclarecedora... Ele costumava ensinar numa grande sala onde ficava deitado num divã com as pessoas no chão rodeando-o por todos os lados. De todas as partes do mundo pessoas como Brunton vinham procurá-lo para se sentar a seus pés e fazer perguntas a ele, ouvindo suas alocuções sábias sobre a vida espiritual. Ouvi muitos que o conheceram testemunhar sobre uma peculiaridade do sábio. Você não precisava fazer suas perguntas, mas meramente sentar-se com ele e a resposta apropriada, mais cedo ou mais tarde, iria aparecer em sua mente sem nenhuma pergunta ou resposta verbal. Ele era profundamente venerado por um grande número de pessoas, e veio a ser chamado de “Maharishi”, que significa “grande Rishi”.

Foi-me concedido o privilégio de ir ao quarto em que Shri Ramana Maharishi vivia. O pequeno quarto era considerado como particularmente santificado, e eu sentei-me ali onde todas suas coisas estavam: sua bengala, umas poucas tigelas e um incensário para pujas. Tudo parecia ter sido mantido como estava quando o corpo foi retirado do quarto. Achei então que deveria aproveitar a oportunidade para ver se sua influência ainda estava ali, como senti que estava, e iria fazer uma pergunta mentalmente. Então, meditei por algum tempo até que senti definitivamente em contacto com ele em mundos mais elevados. Mantive em minha mente o pedido para que ele enunciasse um princípio sobre o desenvolvimento espiritual. Depois de algum tempo as seguintes palavras se formaram, sem esforço, em minha mente: “Voluntariamente aprisionado em seu interior, como luz, encontra-se um poder omnipotente. Liberte-o. Deixe que a luz brilhe.” Essas palavras podem não parecer grande coisa para algumas pessoas, mas elas produziram um efeito muito profundo e esclarecedor em mim. Usei-as como uma sentença introdutória para meu pequeno livro sobre meditação, Um Ioga da Luz, que foi escrito pouco depois daquela experiência.

Enquanto eu estava sendo levado de um lado para outro em Arunachala, depois de ter visitado o ashram do Maharishi, dirigi-me aos meus amigos indianos, um dos quais era um advogado vivendo em Tiruvannamalai, e perguntei se aquela montanha não abrigava outros homens santos. Ele respondeu que ela abrigava até mesmo maiores do que o Maharishi. Quando perguntei ansiosamente onde eles ficavam, ele me disse que eles não se revelavam, mas era sabido que eles viviam nas alturas da montanha. Alguns pastores e aldeões de vez em quando os avistavam, e mesmo levavam comida para eles. Insisti, então, por informação se havia algum que poderia estar disponível para uma entrevista. Meus amigos se entreolharam por alguns instantes e responderam que havia um, chamado Shiva, que eles estavam certos que iria me receber. Decidimos partir imediatamente.

Contornando a montanha, saímos da estrada principal e tomamos um caminho estreito entre as árvores, mais perto da montanha de Arunachala. Finalmente, chegamos a uma linda clareira na floresta, onde havia um tanque, um reservatório calçado com pedras ou concreto. Ao descermos de nosso carro, um de nossos amigos exclamou que lá estava Shiva, à direita, e eu vi um homem quase nu que se levantou quando nos aproximamos. Ele era idoso, erecto, em bom estado de saúde, sua pele parecia brilhar com vitalidade. Ele era esbelto, com cabelos brancos longos bem penteados até seus ombros, com um bigode longo e uma barba, também branca. Mas seus olhos estavam acesos com humor e afeição, e quero enfatizar a luz interior da qual falei, na verdade, mais do que isso. Toda a postura do homem demonstrava que ele havia conquistado todas as fraquezas humanas e tinha seu autodomínio, era um rei dos reis. Até sua forma de andar mostrava a mais perfeita liberdade de qualquer fraqueza, limitação, ou medo de qualquer coisa.

Ele nos recebeu perto de sua choupana com um telhado de palha aberto nos lados. Sentamo-nos no piso de concreto e ele num assento de concreto curvado. Ele havia feito a choupana e o revestimento do tanque com suas próprias mãos. Sorriu para nós e meus amigos me apresentaram e perguntaram se eu podia conversar com ele. Ele sorriu de forma radiante, consentindo. Com isso começamos a falar sobre assuntos espirituais, ioga, filosofia e as coisas sobre as quais adoro discutir. Ele mostrou-se muito amigável e quando eu voltei em outra ocasião, ele pareceu mostrar uma empatia calorosa por mim. Finalmente eu me aventurei com a pergunta mais importante para mim. Se uma pessoa tinha aprendido a meditar e podia manter sua consciência por um tempo razoável num senso de unidade com o Supremo Espírito, a essência do universo, o Atma, qual era o próximo passo? Como perder a consciência do corpo, como ele e outros eram capazes de fazer, e tornar-se absorvido no Paramatma?

Ele riu em voz alta para mim e disse que não podia me dizer aquilo. Eu tinha que aprender aquilo; era preciso que isso me fosse mostrado e não meramente dito. Obviamente, ele estava falando por meio de intérpretes, pois só falava a língua local, tâmil. De repente, olhou para mim e perguntou-me quanto tempo eu poderia dedicar a ele. Pensei por um momento e conclui que eu poderia viajar as cento e cinquenta milhas de Madras de carro, para passar um fim-de-semana, se alguns amigos estivessem disponíveis para dirigir de ida e de volta. Respondi, então, que poderia vir somente por vinte e quatro horas. Ele disse que não era tempo suficiente, mas para vir mesmo assim.

Para resumir, eu vim. Um discípulo seu, fluente em inglês, estava com ele na visita seguinte, um homem que tinha sido um servidor público e que tinha tido anseios semelhantes. Ele tinha abandonado aquela vida para tornar-se um asceta. Era um homem bonito. Chamava-se Asangha Maya (que não é preso por maya). Tornamo-nos amigos muito próximos naquelas vinte e quatro horas.

O Shiva, como ele era chamado, admitiu-me em seu próprio santuário, que era simplesmente essa cabana de concreto na qual ele dormia. Ali ele deu-me algumas instruções. Elas não eram a respeito de entrar em samadhi, devo admitir, caso contrário eu não as entendi. Mas, era um certo conhecimento e combinação de acções, que não tenho autorização para descrever, para mergulhar em meditação mais profunda e para despertar a kundalini. Como eu já havia realizado parte daquilo, o efeito em mim foi muito forte. A kundalini quase que disparou para cima e todo meu corpo ficou electrificado por ela na presença dele. O discípulo sentou-se ao meu lado e, quando nossas mãos ou braços tocavam exclamava que eu estava electrificado, pois ele sentia o poder elétrico dardejando de meu corpo.

Bem, Shiva foi para a cama para dormir em sua cabana, enquanto Asangha Maya e eu passamos a noite fora. Eu tinha trazido uma cama com mosquiteiro. Ele deitou-se no assento de concreto, tendo adquirido a capacidade para dormir em qualquer lugar, ele disse. Mas, nós não dormimos. Eu continuei a praticar sob sua orientação o procedimento que me tinha sido mostrado, até que eu me senti razoavelmente seguro dele, apesar de não ser nada difícil. Fiquei fazendo perguntas a ele e conversamos sobre a vida espiritual até de madrugada naquela noite quente de verão da Índia. Foi uma experiência maravilhosa e inesquecível, tudo ocorrendo dentro da aura de Shiva, que senti ser um grande ser. Desenvolvi grande afeição por ele e ele por mim, como podia ser visto na sua expressão. Ele escreveu para mim, por meio de um intérprete, e eu para ele. Quando meus amigos vão visitá-lo, ele pergunta por mim. Seus outros seguidores em diferentes partes do mundo também tiveram esses privilégios. Mantenho contactos espirituais-mentais com ele quase todo o tempo. Ele era uma pessoa que realmente havia realizado as coisas sobre as quais lemos, e era maravilhoso estar em sua grandiosa presença.

Em outra ocasião, tendo ouvido falar que outro homem santo estava visitando Conjeeveram, mandei um pedido por meio de um teósofo local, para saber se ele poderia receber os estudantes da Escola de Sabedoria. A pessoa em questão era nada menos do que o atual Shri Shankaracharya, o chefe espiritual e administrativo de todo o centro monástico, ou mutt como é chamado, do antigo templo do centro de Conjeeveram. O cargo tem sido mantido numa linhagem sem interrupção desde os dias do próprio Shri Shankaracharya, cerca de vinte e três ou vinte e quatro séculos atrás, de acordo com Subba Row, um dos primeiros teósofos e ocultistas ligados à nossa Sociedade. O Senhor Shri Shankaracharya é considerado ocultamente como uma encarnação voluntária de um 37 seguindo o Senhor Buda, para corrigir alguns equívocos, usando alguns dos veículos subtis do Senhor Buda. Entre outras coisas, ele estabeleceu quatro templos semelhantes e ordenou, como diríamos no cristianismo, a primeira de uma série de seus representantes para manter seu nome e presidir sobre os centros continuamente ao longo das eras. Ao que me consta, ela tem sido mantida, e os mais dignos seres humanos disponíveis são chamados para ocupar essas posições, consideradas como das mais elevadas na Índia. 38
físico, mas que não estava aqui; que Ele vivia nos Himalaias. Então ele outra vez estendeu sua mão e disse, “Esta é a bênção.” Mais uma vez agradeci a ele de parte de todos nós e me retirei.

Perguntaram-me se eu olhei a sua aura. Eu não fiz isso. Não me permiti tentar olhar para ele em nenhuma forma de método de pesquisa, porque senti que seria inapropriado e talvez uma impertinência. Somente fiquei ciente que a figura delicada estava rodeada de uma grande luz e que ele era uma pessoa muito avançada... Tais foram as ricas actividades extracurriculares de nossa escola.
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Como Sandra solicitou, relatei alguns dos principais eventos que moldaram minha carreira durante uma vida muito longa e ativa. Mesmo não sendo antecipados em cada ocasião, mas trazendo ao mesmo tempo uma convicção inabalável de sua realidade, eles com frequência pareceram ter a natureza de milagres. Não menos importante dentre eles é o fato de que Sandra veio compartilhar minha vida oportunamente depois que minha querida primeira esposa, Jane, ter sido liberada de um corpo físico que passou a significar somente dor e sofrimento para ela. Com incansável devoção, Sandra continuou a me proporcionar o benefício de suas capacidades superlativas e de sua compreensão infalível. Ela propõe agora a eventual publicação deste livro, para o qual todos os fatos e experiências que eu relatei parecem ter inevitavelmente confluído. Deixo isso agora em suas mãos.
Geoffrey Hodson

Excerto do livro Luz do Santuário compilado por Sandra Hodson
Traduzido por Raul Branco
   


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Impresso em 24/5/2024 às 8:04

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