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As cartas de antigamente
de Maria João Firme em 07 Nov 2014 Existia um plano, uma estrutura ou até mesmo uma arquitetura, em que sensações, sentimentos e pensamentos se abraçavam, estabeleciam limites e se hierarquizavam naturalmente, tudo isto independentemente das qualidades literárias do emissor. As cartas eram capazes de transmitir novos mundos, experiências fantásticas, vivências singulares, ideias, paixões, dramas ou traições, tendo dado origem ao género literário denominado epistolar. Podendo ser escritas por reis, rainhas ou eruditos, as cartas democratiram-se também no século XX, pois quem não soubesse escrever e quando a situação urgia, pedia a um vizinho mais letrado que o fizesse, ditando-lhe linha após linha o seu pensamento e alma. Se não soubesse ler o constrangimento não era menor, pelo que o familiar ou amigo, após a data da carta leria por exemplo assim: “Querida Maria, estimo que te encontres bem, eu graças a Deus, nem sabes as saudades tuas que sinto no meu corpo...” Qual a importante diferença então entre uma carta e um habitual email? O tempo disponilizado, a alma que entrou na primeira, insinuando-se entre espaços, letras e palavras. Mas, pergunta mais do que justa : “ E o e-mail não tem alma?”. “Sim, qualquer coisa do género”- poderemos responder - “Tem uma alma a correr”. Na indústria dos mails terminamos cada um deles com um idêntico “Bjs” ou até “Xi- <3”, numa versão mais íntima. Na oficina das cartas, frases terminais como “Recebe um xi-coração apertado” ou “ apérto te com um xi corassão”, transmitindo o mesmo amor, transformam-se num objeto pessoal e único. |
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